Catadores/as de matérias recicláveis da Paraíba participam de Encontro da Rede Lixo e Cidadania

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 20 de março de 2017 · Editar

DSCN9470Catadores e catadoras de materiais recicláveis e entidades de apoio das regiões do Agreste, Zona da Mata e Sertão da Paraíba participaram, no dia 17 de março (sexta-feira), do Encontro Estadual da Rede Lixo e Cidadania. A atividade aconteceu na sede do Centro de Ação Cultural (Centrac) reunindo cerca de 30 pessoas.

Dando início ao encontro, Luciene Martins, técnica do Projeto de Ações Integradas do Governo do Estado, deu as boas vindas aos catadores/as ressaltando a importância do momento para a Rede.  Na sequência Edmar Silva, assessor da Cooperativa dos Catadores e Catadoras de Reciclagem de Marcos Moura (COOREMM) realizou mística inicial, tendo como mote de discussão o que move o movimento de catadores/as.

DSCN9485Após apresentação da proposta de pauta, foram divididos 3 grupos, por região (Zona da Mata, Agreste e Sertão), para discutir sobre a conjuntura política atual, observando os desafios e os avanços alcançados em 2016. Os grupos foram divididos em 3 regiões: Zona da Mata, Agreste e Sertão.

Durante a apresentação dos grupos, a catadora Egrinalda dos Santos de João Pessoa, destacou algumas ameaças à efetivação do Plano Nacional de Resíduos Sólidos: “A aliança das empresas com os gestores públicos de diversas capitais está ficando cada vez mais difícil, elas querem incinerar, tiram o trabalho dos catadores e ainda poluem o meio ambiente. Em João Pessoa já foi proibido o trabalho dos catadores com tração animal e também já ouvimos sobre uma lei que quer tirar a tração humana das ruas. Isso deixa bem claro que é um ataque ao nosso trabalho. Se eles tirarem o carrinho vai ficar impossível se deslocar para ir pegar material em um local mais distante”, afirmou Egrinalda.

DSCN9502Os/as catadores e catadoras de Bananeiras destacaram os problemas enfrentados com o Grupo Energisa na região. “No município de Solânea, a Energisa fez um acordo com a prefeitura e passaram a fazer a coleta do material nas ruas. Quando a gente percebeu que isso acontecer também em Bananeiras, conseguimos, junto com as universidades, entrar com uma ação no Ministério Público. Quando a Energisa chegou em Bananeiras para fazer o acordo o prefeito recusou”, disse o catador Severino do Ramo.

A catadora Maria de Lourdes Bezerra, da Cooperativa de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Campina Grande (CATAMAIS), destacou o Projeto Recicla São João como um dos avanços em 2016, mas esclarece que ainda é preciso garantir o contrato de prestação de serviço com a prefeitura. “O avanço da Energisa com a arrecadação de material reciclável é perca de coleta para nós. A nossa luta agora é garantir que a prefeitura cumpra seu papel. Nós queremos o contrato de prestação de serviço e é um direito nosso, ganhar pelo trabalho que a gente realiza no município”, afirmou Lourdes.

DSCN9511“Lá em Pombal os catadores conseguiram um apoio com a paróquia, saímos do individual para o coletivo e nós somos muito agradecidos. Nós percebemos que existe a diferença entre trabalhar só e trabalhar em unidade, enxergando os outros catadores e ouvindo opiniões diferentes. Daí vem o aumento da produção e nós passamos a ter noção sobre o nosso trabalho na sociedade e o valor que o nosso trabalho tem. As pessoas achavam que todo o material era descartável, agora eles sabem que esse material é renda e trabalho pra. A própria faculdade queimava o material e hoje nós somos parceiros”, ressaltou a catadora Israelita Martins, da Associação dos Materiais Recicláveis do Município de Pombal (ASCAMARP).

No período da tarde, foi apresentado um vídeo para discutir a diferença entre associação e cooperativa e a necessidade de atentarem para as obrigações contábeis. Em seguida, Mary Alves explicou as ações do Projeto Cooperar para Melhorar Coletar em 2017. “Estamos fazendo uma campanha de sensibilização para coleta seletiva, beneficiando os empreendimentos de Campina Grande. A campanha contará com panfletos, cartazes, spots de rádio e TV, com caráter educativo, para comunicar as pessoas sobre a importância da coleta seletiva. Se a gente não diz que a gente precisa dos recicláveis as pessoas também não sabem, não sabem os impactos que isso tem na vida dos catadores e catadoras”, afirmou Mary.

DSCN9529Ao termino do encontro foram escolhidos dois catadores para compor a Comissão interinstitucional de Educação Ambiental. A catadora Egrinalda dos Santos ficou como titular e o catador Severino do Ramo como suplente. Também foram tirados alguns encaminhamentos, entre eles: Encaminhar ofício para a Prefeitura de Campina Grande solicitando reunião sobre o contrato de prestação de serviço; apresentar um documento solicitando a implantação da Comissão Estadual para discutir a coleta de materiais recicláveis nos órgãos públicos estaduais, conforme a lei 9. 293/10; Agilizar a licença ambiental das associações e cooperativas de catadores; Agendar uma reunião com a gerência de meio ambiente de João Pessoa para dialogar sobre as condições dos/as catadores/as do município. Por fim, elaborar documento de apoio aos/as catadores e catadoras de Porto Alegre.

A próxima reunião da rede está prevista para o dia 12 de maio, após o encontro de avaliação do Projeto Cooperar para Melhor Coletar.