“Nos conectamos muito com as máquinas e esquecemos de nos conectar uns com os outros”, afirma pesquisador

Publicado por Aurea Olimpia
Campina Grande, 4 de outubro de 2017 · Editar

Em sua fala durante a comemoração dos 30 anos do Centro de Ação Cultural- Centrac, no dia 30 de setembro, o professor Durval Muniz Júnior, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, falou, entre outros temas, do distanciamento dos movimentos e das organizações da sociedade civil das massas: “Os movimentos sociais interpelaram mais o Estado do que a própria sociedade civil. Vivemos um processo intenso de mudanças nas relações humanas com a tecnologia, nos conectamos muito com as máquinas e esquecemos de nos conectar uns com os outros. É urgente encontrar caminhos de reconexão com a sociedade civil”.

Durval foi o palestrante convidado para falar sobre o tema “A construção da democracia nos últimos 30 anos sob a perspectiva dos movimentos sociais e da sociedade civil organizada”. O convidado, falou sobre a conjuntura política brasileira para uma plateia de mais de 100 pessoas, entre lideranças de movimentos sociais, sindicalistas, professores universitários, autoridades políticas, agricultores e agricultoras, catadores e catadoras de materiais recicláveis, trabalhadoras domésticas e outros representantes de redes e fóruns ligados às temáticas de atuação do Centrac. A comemoração aconteceu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, Subseção Campina Grande.

O professor falou ainda do momento político atual que o país vem atravessando de intensa crise política institucional. “Eu como historiador, sei que leva um tempo para compreender o que está acontecendo aqui, notadamente de 2013, para cá. Pois o que vivemos hoje, as forças conservadoras que agora atuam, já vinham sendo gestadas e talvez nós é que demoramos a perceber. O golpe que a democracia sofreu foi gestado há muito tempo, talvez desde 2003. Á medida que a direita brasileira via que não ganharia o Executivo, começou a fechar o cerco ao Executivo pelo Legislativo. Vemos isso muito claro quando víamos a quantidade de recursos que o ex-deputado Eduardo Cunha teve à sua disposição para alcançar os seus objetivos”.

O professor, que em diversas oportunidades, contribuiu com momentos de reflexão e debates promovidos pelo Centrac, ao longo de sua história, falou ainda do papel da instituição e de outras organizações: “Acredito que todos nós que tivemos o privilégio de uma educação superior, (eu falo ‘privilégio’, infelizmente), temos a obrigação de levar o que sabemos adiante. Temos que fazer a Universidade sair da Universidade. Sair dos seus muros, colocar o seu saber à serviço da população. O Centrac e outras Ongs tiveram um papel fundamental nisso. Precisamos mais uma vez, iniciar esse processo lento de mudança. Estou tão perplexo quanto vocês com a rapidez do desmonte do Estado, mas as coisas não voltam, muito vai ficar em todos os que de alguma forma tiveram a sua vida transformada por um conjunto de ações”.

Atualmente, Durval é colaborador da Universidade Federal de Pernambuco e professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Possui graduação em Licenciatura Plena em História pela Universidade Estadual da Paraíba, mestrado em História pela Universidade Estadual de Campinas e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas.

Após a palestra e uma série de agradecimentos, a plateia foi convidada para visitar a Exposição “Retratos de Cidadania”, que em 30 fotografias recontou um pouco das três décadas de história da instituição. Em seguida, foi oferecido um coquetel ao som da música de Edvânia Aguiar, cantora revelação do cenário cultural campinense.

Saiba mais sobre a história do Centrac: http://centrac.org.br/quem-somos/historia/