“Comida de Verdade” é tema de ciclo de oficinas realizado pelo Centrac em escolas públicas

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 19 de outubro de 2017 · Editar

Com o objetivo de fortalecer e incentivar a alimentação saudável junto à comunidade escolar, o Centro de Ação Cultural (Centrac) deu início a um ciclo de oficinas com o tema “Comida de Verdade”. As oficinas fazem parte de uma programação alusiva ao Dia Mundial de Alimentação, comemorado no dia 16 de outubro, e à Semana Mundial da Alimentação, em parceria com cinco escolas da Rede Pública dos municípios de Campina Grande e Aroeiras.

A primeira oficina aconteceu na ultima quarta-feira (18), em Aroeiras – PB, na Escola Municipal Jardilene Oliveira de Souza, envolvendo cerca de 60 alunos do 6º ano A e B, dos quais 90% são filhos de agricultores e agricultoras familiares. A atividade foi facilitada pela equipe técnica do Programa Desenvolvimento Sustentável do Centrac.

No primeiro momento, os alunos e alunas apresentaram uma lista com alguns alimentos que consomem em casa e na escola. Em seguida, foi apresentado o filme “Nico e o tubérculo”, que aborda os temas cultura alimentar e grupos de alimentos, por meio da história de Nico, um menino que descobre o valor da cultura alimentar de sua família quando realiza uma tarefa escolar.

Após o vídeo, a assessora técnica do Centrac, Madalena Medeiros, apresentou duas cestas aos alunos, uma com produtos industrializados (pipocas, biscoitos, refrigerantes) e outra com alimentos da agricultura familiar agroecológica (alface, macaxeira, batata, banana), provocando um debate sobre alguns elementos apresentados no filme. Os alunos logo identificaram quais elementos da cesta se encaixavam como comida de verdade.

“O filme mostra que comida não é só o que a gente pode ver e comer, mas é tudo que engloba carinho, cuidado, afeto e tem história”, ressaltou Madalena. “Se você gosta muito de uma comida, como por exemplo, o umbu, se você estiver passeando, e mesmo que esteja de olhos fechados,  você sentirá o cheiro, vai logo saber que é a sua fruta preferida. Por isso que comida tem memória afetiva, tem memória do lugar que a gente veio, memória de quem preparou pra gente, essas sim são comidas de verdade”, acrescentou.

A partir da lista feita pelos alunos sobre a comida oferecida em casa e na escola, eles começaram a identificar os alimentos que são comidas de verdade. Os alunos e alunas destacaram as frutas, verduras, ovos, queijos, carne de porco, galinha de capoeira, tapioca, macaxeira, inhame, coentro, feijão. Foi discutido também como alguns alimentos que eles ainda consomem, como empanados, refrigerantes, hambúrgueres e outras frituras, podem prejudicar a saúde deles. “Hoje a gente tem muitas crianças obesas, com colesterol alto, problemas no coração, diabetes, tudo isso em decorrência de uma má alimentação. Os produtos industrializados tem um grande índice de açúcar, sódio e isso, além de prejudicar a saúde, prejudica o rendimento escolar, a concentração e aumentam a hiperatividade. O importante é saber que quanto mais a gente descasca, melhor pra nossa saúde, quanto mais a gente desembala, mais riscos oferece a nossa saúde”, afirmou Madalena.

O aluno Kaique da Silva Barbosa conta como as comidas que são produzidas no quintal da sua casa têm muito mais sabor que as do supermercado. “Quando minha mãe compra ovos no mercado, eles são bem claros e sem gosto. Mas quando ela frita um ovo da galinha do nosso quintal é bem amarelinho e bem mais gostoso e o outro nem dá vontade de comer”, disse Kaique.

Ao término da oficina, foi entregue à escola um kit com cartilhas, filmes e materiais informativos para trabalhar sobre o tema Comida de Verdade. Os alunos ainda receberam indicações de filmes para assistir em casa e um panfleto da Feira Agroecológica de Aroeiras, que oferece produtos da agricultura familiar, livres de transgênicos e agrotóxicos.