Fórum de Lideranças do Agreste planeja ações para 2018

Publicado por Aurea Olimpia
Campina Grande, 15 de Fevereiro de 2018 · Editar

Nos dias 09 e 10 de fevereiro, cerca de 40 representantes do Fórum de Lideranças do Agreste (Folia), estiveram reunidos em Campina Grande para avaliar o ano de 2017 e planejar suas ações para 2018. O Folia é um fórum territorial que envolve comunidades de 16 municípios do Agreste Paraibano e se articula pelo desenvolvimento da agricultura familiar de base agroecológica no estado. O Fórum é uma das dinâmicas microrregionais da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba).

A programação teve início com a acolhida aos participantes, entre os quais, também estiveram presentes assessores técnicos de entidades não governamentais e pastorais sociais que assessoram o Folia, como o Serviço Pastoral do Migrante (SPM), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Centro de Ação Cultural (Centrac).

Após a acolhida e as apresentações, os presentes se dividiram em grupos de cochicho para debater os desafios da conjuntura atual, marcada pela perda de direitos. Os principais pontos lembrados foram: a redução na política de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER); dificuldade de acesso a crédito por parte das famílias; a intensificação do fechamento das escolas do campo; atrasos no Garantia Safra; o aumento da violência no campo; cortes enormes nos programas como o Bolsa Família, programas de cisternas e os de compras governamentais como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e a falta de políticas de incentivo e apoio ao jovem rural, entre outros pontos.

Os agricultores denunciam a extensão dos cortes nos programas que beneficiam a agricultura familiar, como o PAA, que sofreu uma redução que chega a mais de 90%. “Eles estão cortando aos poucos até chegar em nada”, reclama a agricultora do Assentamento Antônio Eufrozino em Campina Grande, Mônica Cristina de Oliveira Moura. “O que a gente vê é muita desigualdade social no país. Será que dois juízes que são casados vão abrir mão de receber cada um o seu auxílio moradia? Então porque o agricultor tem que escolher entre um benefício como o BPC e o Bolsa Família?”, questiona Fernando Xavier Pereira, de Itabaiana-PB, a respeito do recadastramento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) que visa cruzar dados e cortar benefícios, em caso de acúmulo.

Durante o encontro, também foram avaliados o andamento das comissões municipais, que são espaços de articulação locais, onde se discute o trabalho e as ações de convivência com o Semiárido do Fórum. Foram levantados como pontos positivos a mobilização do território para a 7ª Festa Estadual das Sementes da Paixão e a contribuição dos guardiões, os processos de formação e os intercâmbios entre os municípios, as vendas para o PAA e PNAE, mesmo diante dos cortes e o fortalecimento de algumas comissões municipais.

Foram lembrados como pontos negativos a ausência de reuniões em alguns municípios e a dificuldade de reunir pessoas em torno das comissões, a fragilidade do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Sustentável em alguns municípios e a falta de continuidade dos programas de cisternas. “Os cortes no programas de cisternas tem prejudicado muito os municípios, pois as pessoas estão casando, ficando na comunidade, construindo suas casas e precisam desse apoio para continuar”, destaca a agricultora Solange Araújo, do Sítio Bernardo, em Aroeiras-PB.

As lideranças avaliaram ainda o trabalho a partir de alguns temas mobilizadores como água, sementes de animais e de plantas, mercados e Fundos Rotativos Solidários (FRS)  quando levantaram alguns avanços e desafios para 2018.

As entidades de assessoria Centrac e SPM que atuaram em 2017 e seguem em 2018 como Unidades Gestoras de Programas como o P1+2 e o Cisternas nas Escolas, apresentaram um pouco do que foi o trabalho no ano passado até o momento. A noite foi encerrada com uma síntese e à noite os participantes se confraternizaram em uma festa carnavalesca, ao som de samba e do forró pé-de-serra.

O segundo dia de programação foi dedicado a reflexão sobre o que será prioridade à luz dos desafios e perspectivas para 2018 levantados no dia anterior, com relação ao fortalecimento das comissões municipais e ao processo de formação do Folia. Entre os pontos levantados estão: a discussão sobre o não recebimento das sementes distribuídas pelos governos; fortalecer os Fundos Rotativos Solidários como uma solução para a continuidade do trabalho; trabalhar o tema da violência contra a mulher e da divisão justa do trabalho doméstico; discutir a questão da juventude e o tema da economia solidária dentro do Folia; realizar reuniões das comissões temáticas a cada dois meses; trabalhar o armazenamento de forragem e a preservação das raças nativas. O evento foi finalizado com a definição de uma agenda de atividades territoriais e eventos estaduais e nacionais que terão a representação do Agreste a exemplo do Caravana das Águas e da Agroecologia da Paraíba que ocorre na Paraíba em preparação ao IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA).