Agricultores e agricultoras de Umbuzeiro discutem sobre seleção e armazenamento de sementes

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 21 de maio de 2018 · Editar

Nesta quinta-feira, 17 de maio, cerca de 30 agricultores e agricultoras familiares de Umbuzeiro – PB participaram de uma formação sobre seleção e armazenamento de sementes. A atividade, realizada na sede da Associação dos Agricultores Familiares de Matinadas, faz aparte das ações de fortalecimento à convivência com o semiárido realizada pelo Centro de Ação Cultural – Centrac em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER/Interpa, com apoio financeiro do Comitê Católico Contra a Fome e pelo Desenvolvimento – CCFD, agência de cooperação internacional francesa e da Plataforma Mercosul Social e Solidário (PMSS).

Dando início a discussão, assessora técnica do Centrac, Zilma Maximino, levantou um debate sobre a importância de guardar as sementes. De acordo com os agricultores, essa é uma prática que passa de geração em geração entre as famílias, também garante a economia na hora do plantio e é uma fonte de vida e alimento. “Quando a gente guarda, a gente sabe que tem uma semente de boa qualidade, sem veneno e sabe que se plantar vai colher”, disse o agricultor José Aldo, da comunidade Picada.

A agricultora Maria do Livramento, da comunidade Sapucaia, explicou sua técnica de armazenamento: “Sempre que eu guardo sementes na garrafa pet, eu coloco um dente de alho dentro. Essa é uma técnica que uma vizinha me ensinou. Se você guardar em uma garrafa de 2 litros pode usar até 3 dentes de alho. E dura até uns 5 anos se tiver bem vedada. É bom porque afasta os gorgulhos”, contou Maria.

Zilma esclareceu sobre os cuidados no momento do armazenamento das sementes. “A umidade e a temperatura são os maiores inimigos das sementes. É importante também que a gente não guarde muito próximo ao chão e deixe sempre as sementes e as garrafas secas, sem deixar espaço para o ar”, afirmou Zilma. Também foram citadas outras técnicas para preservar as sementes nas garrafas, como colocar a casca triturada da laranja ou do limão, pimenta do reino, cinzas e a cera de abelha, que é utilizada no armazenamento em silo. “No armazenamento do milho, a gente tira as pontas e guarda sempre as sementes do meio, que são os melhores grãos”, contou Verônica da Silva, agricultora de Matinadas.

A partir do vídeo da Campanha “Não Planto Transgênicos para não apagar minha história”, produzido pelo Polo da Borborema, os agricultores discutiram sobre o tema, levantando a importância de produzir sem o uso de agrotóxicos e de como o armazenamento de sementes trás autonomia e segurança alimentar as famílias. No debate, foi discutido ainda sobre o Projeto de Lei 6670/2016, mais conhecido como o “Pacote do veneno”, que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos no Brasil.

A presidente da Associação dos Agricultores de Matinadas, Maria Petrônio, conta como é importante os agricultores estarem organizados e poder trocar e vender sementes entre eles e no município. “No ultimo ano, a associação comprou 45 quilos de feijão preto ao agricultor Eraldo. Cada associado recebeu um quilo desse feijão e foi um feijão que todo mundo plantou e já colheu”, afirmou a agricultora. A maioria dos agricultores armazenam as sementes de milho, fava branca, feijão preto, macassar e gordo. Ao término da atividade, foi encaminhada uma formação sobre a constituição de bancos de sementes comunitários nas comunidades Matinadas e Agudos.