Trabalhadoras domésticas discutem desigualdade de gênero e violência durante Cine debate

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 16 de julho de 2018 · Editar

A Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande realizou no domingo, 11 de julho, a primeira Cine Oficina do Projeto “Por mim, por nós e pelas outras – Trabalhadoras Domésticas na luta pelo fim da violência contra a mulher”. A iniciativa é desenvolvida pela Associação com apoio do Fundo “Fale sem Medo” do Fundo Elas e em parceria com o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande – Sintrad, o Centro de Ação Cultural – Centrac, a Rede de Educação Cidadã – Recid, o Solidarity Center e a FENATRAD.

A iniciativa prevê outras quatro cine oficinas, além de debates e ações em escolas públicas da cidade, visando esclarecimento sobre a problemática que envolve a violência contra a mulher e levantando a reflexão sobre temas como machismo, empoderamento feminino, as formas de violência contra a mulher e seu enfrentamento.

O filme debatido na primeira oficina foi “O Jogo Virou – a história de Pintadas”. O documentário de Marcelo Villanova mostra a história da mulheres de um município no semiárido baiano que venceram o machismo mudando de hábitos e jogando bola, em um local onde era natural a subserviência das mulheres.

Após a exibição, as participantes da oficina fizeram um debate sobre o filme. “Acho que esse filme traz para a gente a realidade de hoje, mas mesmo assim, a gente sabe que muitas mulheres ainda não conseguiram sair do ‘cativeiro’ em que vivem, porque pra mim a situação de algumas é mesmo a de cativeiro”, afirmou Chirlene dos Santos Brito, secretária geral da Associação das Doméstica.

“Elas são mulheres muito decididas”, observou Maria da Paz Rodrigues, integrante da associação das trabalhadoras domésticas. “Hoje em dia ninguém é mais submissa. No passado, era como se a gente fosse uma propriedade do outro. Hoje não, só é da pessoa o que você pode ir lá e comprar”, afirmou Neusa Barbosa, trabalhadora doméstica que recentemente começou a participar das atividades.

Ana Patrícia Sampaio, assessora técnica do Centrac, discutiu com as participantes o conceito de “sororidade”, que é a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia pela luta diária de cada uma e no companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum. As mulheres também observaram e discutiram como em alguns espaços, como o da prática do futebol, as mulheres são invisibilizadas. “Temos o título de hepta campeãs no futebol feminino e o da melhor jogadora de futebol do mundo, mas as pessoas sequer sabem disso”, pontuou Ana Patrícia.