Lideranças do Agreste discutem conjuntura política atual e as eleições 2018

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 17 de setembro de 2018 · Editar

Com o objetivo de refletir sobre a conjuntura política e as eleições de outubro, o Fórum de Lideranças do Agreste – Folia realizou dois momentos de formação distintos. O primeiro foi dentro do seu encontro mensal de reunião, em Campina Grande no dia 14 de setembro, o segundo foi no dia seguinte, 15, também em Campina Grande, com jovens dos municípios de atuação do Folia.

Em ambos os momentos agricultoras e agricultores, assessores/as técnicos/as e membros das pastorais sociais integrantes do fórum refletiram sobre o posicionamento da representação paraibana na Câmara dos Deputados nas votações da Reforma Trabalhista, Emenda Constitucional 95, Terceirização irrestrita e do impeachment da presidente Dilma Rousseff que desencadeou uma série de perdas de políticas públicas e dos direitos do povo.

Foram apresentados os parlamentares (Deputados Federais e Senadores) que votaram a favor dessas reformas e que estão novamente disputando uma vaga no processo eleitoral deste ano no sentido de promover o voto consciente. Facilitaram esse momento representantes do Centro de Ação Cultural-Centrac, da Comissão Pastoral da Terra – CPT e do Serviço Pastoral dos Migrantes-SPM.

No dia 14, as/os participantes relembraram as suas bandeiras de luta e as das organizações que assim como o Folia, integram a Articulação do Semiárido Paraibano e Brasileiro, além de socializarem como estão enxergando o momento pré-eleitoral em seus municípios.

Francisco Dantas Júnior, do município de Mogeiro, lamentou a falta de consciência de quem ainda vende o voto por facilidades e ganhos imediatos: “Começou a aparecer os milagreiros, gente furando poço, pagando cirurgia para as pessoas, de uma hora para outra e parece que isso cega o povo”, lamentou. “A gente precisa lutar muito na nossa comunidade para alertar o povo para que votem em candidato que trabalhem pelo povo”, complementou Ana Maria Marques da Silva, do município de Gurinhém.

A conjuntura sob a ótica da juventude

24 jovens se reuniram na sede do Centrac e montaram uma linha do tempo desde o ano de 2013 até agora com os acontecimentos mais marcantes na política brasileira. Foram lembradas as jornadas de junho de 2013, a Copa do Mundo de 2014, a última eleição presidencial, as manifestações do “Fora Dilma” e depois “Fora Cunha”, o Impeachment da presidente, a ascensão de Michel Temer e suas medidas antipopulares, como os cortes nos programas sociais, a extinção de ministérios que atendiam à agricultura familiar e a reforma do ensino médio.

O fechamento das escolas do campo também foi mencionado por alguns jovens, como Aline Juvina, do Assentamento Padre João, município de Mogeiro, que denunciou o fato: “A escola da nossa comunidade foi fechada e ainda perguntaram quem queria as madeiras e as telhas e foram lá e derrubaram a escola para retirar. E ainda tinha uma cisterna novinha construída nessa escola”, disse.

Após o debate foi levantada uma série de temas que desejam aprofundar no processo de formação nos próximos encontros. Temas como os direitos da juventude, a geração de renda, a sexualidade e as origens das comunidades rurais, foram alguns dos temas colocados. “Acredito que esse tipo de diálogo deve ser contínuo. Só a política é capaz de mudar os nossos direitos”, firmou Amália Silva, do município de Gurinhém.

No encerramento, as/os jovens participantes iniciaram a confecção de uma bandeira onde escreveram seus nomes e seus desejos para a juventude camponesa.