Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande debatem sobre as várias formas de violência

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 3 de dezembro de 2018 · Editar

No ultimo domingo, 02 de dezembro, a Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande realizou uma roda de diálogo para discutir o tema “Trabalho doméstico e as várias formas de violência contra a mulher”. A atividade aconteceu durante a manhã, na sede da Associação, reunindo cerca de 30 domésticas, convidadas e representantes de entidades parceiras. A assistente social e ativista pelos direitos das mulheres negras, Jô Oliveira, e a integrante da Associação e do Sintrad, Chirlene dos Santos, foram convidadas para debater o tema.

A discussão teve início com alguns exemplos e relatos de violência física e psicológica vivido por algumas mulheres e de como elas passaram pelo processo de superação. Em seguida, Jô Oliveira falou sobre outros tipos de violência, como a econômica e a obstétrica, vivida por parte das mulheres presentes. “No dia do meu parto, eu vi uma mulher do meu lado ter o filho sem nenhum auxílio médico e sem ninguém para acompanhá-la. Várias vezes ela chamou e chorou, mas não teve ajuda”, disse a trabalhadora doméstica Silvaneide Rodrigues.

“A violência obstétrica ainda acontece muito, mas desde 2005 foi aprovada a Lei 11.108, que permite as mulheres terem parto acompanhado por uma pessoa de sua confiaça. Mas muitas ainda não sabem que essa lei existe e são totalmente desassistidas. Por isso é importante esse debate, na medida em que a gente vai discutindo, a gente se ajuda e alerta outras mulheres que estão passando por uma situação de violência”, disse Jô Oliveira.

A ativista também falou sobre a Campanha Internacional dos “16 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra a mulher” que se iniciou no último dia 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) e se encerra no dia 10 de dezembro (Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos). “Quando a gente fala de violência contra a mulher, a gente não pode esquecer de Maria da Penha, que é símbolo de luta e resistência. Para que hoje a gente tivesse a Lei Maria da Penha, que é uma conquista pra gente, uma mulher sofreu e foi violentada várias vezes”, disse.

No segundo momento, a presidente do Sintrad, Chirlene dos Santos, falou sobre a violência no mundo do trabalho e ainda sobre as conquistas e os desafios para a categoria. “Dizem que a gente não gera lucro para o país. Mas sem o nosso trabalho, outros trabalhadores e trabalhadoras não sairiam de casa, não teriam com quem deixar seus filhos. Todas as categorias dependem do nosso trabalho doméstico”, afirmou Chirlene, falando ainda sobre como os direitos para as trabalhadoras ainda são diferentes das demais categorias. “Mesmo com muitos avanços, nós ainda temos uma lei específica pra gente, não somos equiparadas aos demais trabalhadores. Se uma doméstica tiver 5 anos, 10 ou 15 de carteira assinada, por exemplo, ela só tem direito a 3 parcelas de seguro desemprego, diferente dos outros”, ressaltou.

Durante o encontro, as participantes receberam alguns materiais informativos sobre os tipos de violência, onde procurar ajuda e ainda sobre os direitos para a categoria. Chirlene dos Santos agradeceu a participação das trabalhadoras e a importância das parcerias na luta das trabalhadoras em Campina Grande, como o Centro de Ação Cultural – Centrac e a Rede de Educação Cidadã – Recid.

O evento faz parte das ações do Projeto “Por mim, por nós e pelas outras: trabalhadoras domésticas na luta pelo fim da violência contra as mulheres e meninas”, desenvolvido pela Associação das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande em parceria o Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores Domésticos – Sintrad, Centrac, o Solidarity Center, a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas – Fenatrad e a Recid. O projeto conta com o apoio financeiro do Fundo Fale Sem Medo, do Fundo de Investimento Social Ellas e do Instituto Avon e deve ser finalizado em janeiro de 2019.