Agricultoras de Umbuzeiro discutem sobre violência Contra a mulher no dia 8 de março

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 11 de março de 2019 · Editar

Na última sexta-feira, 8 de março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, foi realizada uma palestra no município de Umbuzeiro-PB intitulada “Dia internacional de luta das Mulheres por uma vida sem violência”. A convidada para discutir sobre o tema foi a socióloga e assessora técnica do Centro de Ação Cultural – Centrac, Ana Patrícia Sampaio.

A atividade foi promovida pela Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária – Empaer, localizada em Umbuzeiro, em parceria com o Centrac, o Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – Sintraf, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e associações de agricultores e agricultoras do município.

O presidente do Sintraf João Gomes Barbosa e o Gerente operacional da Empaer, Clodoval Bento, deram as boas vindas as 25 participantes, entre elas agricultoras, lideranças e presidentes de associações. Em seguida, a agricultora e poetisa Socorro da Silva, da comunidade Dois Riachos, fez a leitura do poema “Quem é você mulher?”, saudando a todas as mulheres presentes.

“Outras mulheres lutaram e lutam até hoje pra que a gente pudesse estar aqui, num espaço público, dialogando. Houve um tempo que a gente não podia estudar, trabalhar fora de casa, votar, se aposentar. Esses foram alguns direitos conquistados ao longo dos anos. Mas, infelizmente, mesmo com essas conquistas, ainda temos um desafio que persegue nossas vidas, que é a violência”, afirmou Patrícia. A socióloga falou sobre a Convenção de Belém do Pará, assinada em 1994, que esclarece o que é violência. “A violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência de mulheres entre 16 e 44 anos. A maioria dessas mortes é causada por familiares, esposos, namorados, pais”, ressaltou Patrícia, falando ainda sobre uma conquista para as mulheres que foi a Lei Maria da Pena, de 2006, que tipifica a violência doméstica e qualifica como crime.

Foi apresentado ainda os cinco tipos de violência que estão na Lei Maria da Penha: Física, moral, patrimonial, psicológica e sexual. Também foram apresentados os serviços oferecidos em casos de violência. “A denúncia ou orientação pode ser feita pelo 180, a ligação é gratuita, por telefone fixo ou celular. Aqui em Umbuzeiro vocês podem procurar o Centro de Referência da Assistência Social – CRAS. Mas a denúncia deve ser feita na delegacia ou no Centro Estadual de Referência de Atendimento à Mulher, que está localizado em Campina Grande”, disse a socióloga.

Durante o debate, as participantes também discutiram sobre a importância da Divisão Justa do Trabalho Doméstico. “Eu lembro que minha mãe saia cedo para o campo e só voltava no fim da tarde, por conta disso eu tiver que aprender a cozinhar e cuidar da casa cedo, pra ajudar ela no serviço. Porque também isso não era uma coisa pra homem fazer, todo serviço da casa só as filhas e mãe faziam e até hoje ainda é assim”, disse a agricultora Maria Aparecida da Silva. “Na minha casa eu e meu marido fazemos tudo, quando meu filho chega da escola ele já sabe que tem que organizar as coisas dele, varrer a casa, todos têm obrigações, mas isso é porque ele esta vendo o exemplo do pai e também porque a gente não separa essas tarefas”, disse a agricultora Rosilda Barbosa, da comunidade Mambuco.

No segundo momento, a socióloga esclareceu quais as novas regras propostas pelo governo federal para a segurada especial da Previdência Social. Até o momento, a trabalhadora rural se aposenta com 55 anos de idade, mais 15 anos de comprovação de atividade rural. Na nova proposta, essa idade sobe para 60 anos mais 20 anos de contribuição. A contribuição passa a ter um valor de 600 reais por ano. Discutiu-se que tal proposta é injusta e cruel com as mulheres rurais, pois desconsidera o volume e condições de trabalho diário a que estão submetidas, a idade em que começam a auxiliar na produção familiar e ainda o maior volume de trabalho doméstico em relação aos homens.

Ao término da atividade, as agricultoras receberam um material informativo sobre como identificar os tipos de violência e ainda esclareceram dúvidas sobre o tema e sobre a nova proposta de reforma da Previdência.