Agricultores de Campina Grande visitam estação experimental do INSA

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 7 de agosto de 2019

Agricultoras e agricultores dos Assentamentos Pequeno Richard e José Antônio Eufrozino, Campina Grande-PB, visitaram nesta terça-feira (6) a Estação Experimental Professor Ignácio Salcedo, do Instituto Nacional do Semiárido (INSA). Durante a visita, realizada em parceria com o Centro de Ação Cultural (Centrac), conheceram os Núcleos de Produção Vegetal e Animal, tiraram dúvidas e trocaram experiências.

No primeiro momento, foram apresentados os quatro plantios consorciados das palmas baiana, miúda, mexicana e orelha de elefante africana. “Essas 121 variedades diferentes de palmas, serão utilizadas aqui na Estação numa pesquisa, algumas são resistentes e outras tolerantes à cochonilha do carmim. Há também variedades de palmas com espinhos e outras sem espinho. A gente chama de palma tolerante, aquela que a praga ataca e a planta não morre rapidamente, e a resistente, as que não são atacadas pela cochonilha”, afirmou o técnico do Núcleo de Produção Animal. A palma mexicana, por exemplo, é uma das palmas resistentes. Evaldo Felix.

Para o combate à cochonilha, os técnicos utilizam óleo bruto de algodão e ainda óleo de nim. “É importante que a gente perceba que quando utilizamos o herbicida, a gente mata não só a praga, mas os outros insetos que também se alimentam dela. Prejudicando assim a natureza”, reforçou Evaldo.

Para fazer o consórcio diversificado, com palmas e plantas leguminosas, que fixam nitrogênio no solo, os técnicos variam os espaçamentos do plantio de 1 a 3 metros.

Com o plantio consorciado de palma e gliricídia, também é feito o monitoramento do corte da gliricídia na altura de 30 e de 50 cm, numa proposta de avaliar o resultado do sombreamento na palma. O técnico também apresentou algumas palmas atacadas pela cochonilha de escama. “Na palma baiana deve-se aplicar o defensivo no raio de 1 metro e, além disso, é preciso fazer a limpeza da palma com uma escova”, afirmou Evaldo.

Dos experimentos realizados, foi identificado que a palma orelha de elefante se mostrou mais resistente ao lugar e ao clima, se desenvolvendo mais rápido. Os agricultores e agricultoras também conheceram o consórcio de palma com girassol mexicano, feijão e milho. “Essa é a importância da diversidade, se uma espécie é atacada a outra sobrevive porque é mais resistente. Além disso, podemos utilizar a forragem dessas plantas para o consumo animal. Pra quem já possui o fogão agroecológico, a gliricídia e o girassol mexicano possui ótimos gravetos e que substituem a lenha”, falou Madalena Medeiros do Centrac.

No segundo momento, o grupo visitou o Núcleo de Conservação do Gado Curraleiro Pé Duro, uma raça nativa reconhecida nacionalmente e registrada. “Esses animais chegaram ao Insa por volta de 2005 e estavam em risco de extinção. Nossa proposta  é aumentar uma nova fatia de criação no semiárido. Hoje nós temos um efetivo de 78 animais entre machos e fêmeas. A cada 15 dias fazemos a pesagem e o controle leiteiro”, disse o técnico do Núcleo de Produção animal George Vieira.

De acordo com o técnico Guilherme Caetano, o Pé Duro é uma raça resistente a carrapatos e vermes, possui porte pequeno, pelagem em tons de amarelo, laranja e vermelho. Outra característica forte é o chifre. “O Insa tem um plano de reprodução do gado pé duro e a sociedade pode participar. O processo é simples, mas um pouco demorado e exige que o responsável cumpra algumas cláusulas de cuidados com o reprodutor. A ideia é que esse plano seja rotativo e mais pessoas possam dar continuidade a manutenção da raça”, esclareceu George.

Em seguida, os agricultores familiares visitaram o laboratório de análise de plantas forrageiras da caatinga. O pesquisador Geovergue Medeiros, também do Núcleo de Produção animal, apresentou uma lista de plantas nativas e como é feito o processo de análise, que tem como objetivo avaliar o valor nutricional de cada planta, melhorando a qualidade da forragem e a segurança alimentar animal.

Na última etapa da visita, o técnico Carlos Trajano apresentou alguns tipos de plantas forrageiras para serem utilizadas na fenação, entre elas o jucá, a jitirana, o farelo de palma, o juá, a catingueira, a melancia de cavalo que tem 90% de proteína, a folha de sabiá, entre outras. Carlos também apresentou a enfardadeira manual, ideia de um agricultor que foi replicada pelo Insa, com um baixo custo de produção. O técnico também explicou como a forragem deve ser armazenada, como deve ser feita a desidratação e ainda manter a cor esverdeada, “uma das características de um bom feno”, ressaltou Carlos.

“Eu já utilizo o bambuzal de ração para as minhas ovelhas, mas agora eu estou percebendo como é rico e que eu preciso armazenar para o tempo do verão”, disse a agricultora Socorro dos Santos, do Assentamento Antônio Eufrozino. Ao término da visita, os agricultores receberam estacas  de gliricídia e girassol mexicano e raquetes de palmas.