Entidades Lançam Manifesto sobre a Reforma Política

Publicado por swadmin
Campina Grande, 18 de junho de 2009

Fonte: INESC

As Entidades que compõe a Plataforma dos Movimentos Sociais para a Reforma do Sistema Político no Brasil apresentam um manifesto sobre a Reforma Política e a atuação do Congresso no tema.

Entre as entidades, fóruns e redes que assinam o documento estão a Associação Brasileira de ONGs (ABONG), o Fórum Nacional de Participação Popular (FNPP), o Conselho Latino-americano de Educação (CEAAL), o Movimento de Combate à Corrupção e Eleitoral (MCCE) e o Fórum Brasil de Orçamento (FBO) todas redes das quais o CENTRAC faz parte. 

A seguir o manifesto na íntegra.

MANIFESTO POR UMA  REFORMA POLÍTICA AMPLA, DEMOCRÁTICA E PARTICIPATIVA

As Entidades que compõe a Plataforma dos Movimentos Sociais para a Reforma do Sistema Político no Brasil apresentam este manifesto sobre a Reforma Política  e a  atuação do Congresso no tema. 

Desde 2005 a Plataforma  trabalha um projeto de Reforma Política mais ampla do que  a Reforma Eleitoral, englobando uma verdadeira reforma do Estado, necessária para que a democracia seja efetivamente exercida pelos/as cidadãos/ãs, principalmente quanto à possibilidade de participação popular e a ampliação dos seus  instrumentos. Uma Reforma Política que mude as formas de se pensar e fazer política, portanto das formas de exercer o Poder.

A Reforma Política debatida no congresso está muito aquém dos anseios dos movimentos sociais, da sociedade civil organizada e da população de modo geral. Num primeiro momento se limitando a lista pré-ordenada, financiamento público de campanha e fidelidade partidária (pontos essenciais para uma reforma eleitoral) e agora reduzindo mais ainda o seu escopo com o Projeto de Lei do Deputado Flávio Dino. O referido Projeto de Lei trata apenas de normas para as eleições e que em muitos  casos  já foram normatizadas pela Justiça Eleitoral. Repudiamos isso ser  chamado de  reforma política.

Entendemos que uma verdadeira reforma política tem que ser mais ampla e abrangente.  Neste sentido destacamos alguns itens que defendemos: fortalecimento da democracia direta e participativa com uma nova regulamentação do art. 14 da Constituição Federal de 1988, que  trata dos mecanismos de democracia direta e a criação do sistema integrado de participação popular; aperfeiçoamento da democracia representativa e  democratização  da comunicação e do Poder  Judiciário.

Em relação à democracia representativa defendemos, entre vários pontos, o financiamento público exclusivo e a lista pré-ordenada com alternância de gênero e respeito à diversidade étnica. Apesar das críticas a estas propostas, principalmente dos meios de comunicação, de parte da academia e de vários partidos e parlamentares, acreditamos serem fundamentais. Aqui cabem alguns esclarecimentos: 

  • Mesmo sabendo da possibilidade de maior concentração de poder aos líderes partidários com a lista pré-ordenada, entendemos que é a solução possível para a implantação do financiamento público de campanha exclusivo, item que consideramos importante para moralização das campanhas eleitorais e que poderia ser controlado com a exigência de maior participação dos filiados nas escolhas dos candidatos nas convenções.
  • Faz-se necessário também uma distribuição equânime das vagas contemplando relações de (o) gênero e as minorias no Congresso, estabelecendo paridade entre homens e mulheres e garantindo participação dos afro(s) descendentes e índios, entre outros segmentos. Só assim diminuiremos o abismo existente entre a representação atual e estes  segmentos. 
  • Vale lembrar que as campanhas eleitorais hoje têm financiamento misto, sendo parte financiada pela iniciativa privada e parte pública, incluindo o fundo partidário e a isenção de impostos às emissoras de rádio e televisão para a transmissão do horário eleitoral “gratuito”. Defendemos que a atividade política não pode ser  financiada pelo dinheiro privado. 

    Com a inércia do Congresso e a reprovação pelos  órgãos de imprensa, nem estes itens da Reforma Política tem avançado, deixando mais uma vez os cidadãos brasileiros frustrados, crescendo o  perigoso  descrédito na política, nos políticos e nas instituições. 

    Reiteramos a urgência e extrema necessidade da imediata realização da Reforma Política ampla antecedida por amplos debates e com a implantação de mecanismos de participação popular para exercício da plena cidadania.   

    Nossas propostas podem ser encontradas em nossa Plataforma no site www.reformapolitica.org.br e está aberta para sugestões e participação.  

    Plataforma dos movimentos sociais pela reforma do sistema político.   

    Integram a plataforma a seguintes articulações: 

    1.             ABONG – Associação Brasileira de ONGs

    2.             AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras

    3.             AMNB – Articulação de Mulheres Negras Brasileiras

    4.             ACB – Associação dos Cartunistas do Brasil

    5.             Campanha Nacional pelo Direito a Educação

    6.             CEAAL – Conselho Latino Americano de Educação

    7.             CNLB – Conselho Nacional do Laicato do Brasil

    8.             Comitê da Escola de Governo de São Paulo da Campanha em Defesa da República e da Democracia

    9.             FAOC – Fórum da Amazônia Ocidental

    10.         FAOR – Fórum da Amazônia Oriental

    11.         FBO – Fórum Brasil do Orçamento

    12.         FENDH – Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos

    13.         FES – Fundação Friedrich Ebert

    14.         Fórum de Reflexão Política

    15.         Fórum Mineiro pela Reforma Política Ampla, Democrática e Participativa

    16.         FNPP – Fórum Nacional de Participação Popular

    17.         FPPP – Fórum Paulista de Participação Popular

    18.         FNRU – Fórum Nacional da Reforma Urbana

    19.         INTERVOZES – Coletivo Brasil de comunicação social

    20.         LBL – Liga  Brasileira de Lésbicas

    21.         MEP – Movimento Evangélico Progressista

    22.         MCCE – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral

    23.         MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos

    24.         Movimento Pró-reforma Política com Participação Popular

    25.         Observatório da Cidadania

    26.         PAD – Processo de Diálogo e Articulação de Agências Ecumênicas e Organizações Brasileiras

    27.         Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais

    28.         REBRIP – Rede Brasileira Pela Integração dos Povos

    29.         Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos