Quarenta e três agricultores e agricultoras dos municípios de Puxinanã e Campina Grande participaram de um intercâmbio de experiências no Sítio Ladeira do Chico, no município de Aroeiras, Agreste Paraibano. O objetivo da visita era promover o intercâmbio de experiências entre as famílias agricultoras beneficiadas com a cisterna do tipo calçadão ou enxurrada pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Em Aroeiras, o Programa foi executado pelo Centro de Ação Cultural – Centrac, já em Campina Grande e Puxinanã, o Polo da Borborema está à frente do Programa.
A primeira visita foi na propriedade de Elza de Souza, 38 anos. A agricultora vive em Aroeiras desde menina e como os pais e avós eram agricultores acabou seguindo o rumo da família. Elza tem três filhos e sempre viveu do roçado, mas depois que recebeu a cisterna de enxurrada a família passou a se dedicar a produção de hortaliças livres de agrotóxicos. “Só em saber que a gente não tá consumindo veneno já é bom. Eu não gasto dinheiro comprando porque eu planto, eu vendo quando sobra e meus filhos também têm onde trabalhar, o que ajuda a eles mesmos”, disse.
Com as capacitações oferecidas pelo Programa Elza aprendeu a fazer os canteiros econômicos e diversificou sua plantação, cultivando em seu terreno mais de 30 variedades de alimentos, entre eles hortaliças, frutas, verduras e plantas medicinais. “Isso é o que a gente chama de diversificação, o plantio variado o que favorece o controle de pragas, porque a praga que atinge a alface pode não ser a mesma que atinge o pimentão. Se ela tivesse plantado somente um tipo de alimento ela poderia perder tudo quando isso acontecesse”, disse Antônio Carlos Vasconcelos de Albuquerque, assessor técnico do Programa Desenvolvimento Sustentável do Centrac que acompanha o trabalho com as famílias agricultoras.
Depois de visitar a propriedade de Elza de Souza, os agricultores e agricultoras conheceram a experiência de Reginaldo Bezerra da Silva e sua família, ainda no Sítio Ladeira do Chico, Reginaldo , 45 anos, tem seis filhos e é casado com Severina Patrícia Cabral da Silva. O agricultor recebeu a cisterna de enxurrada em dezembro de 2014, com a ajuda da esposa e dos filhos ele cultiva coentro, alface, tomate, pimentão, cebolinha, feijão verde, abóbora, milho, couve, plantas medicinais e alguns tipos de fruta, como mamão e banana.
Enquanto o grupo observava o terreno, Reginaldo explicou a importância de conhecer as experiências de outros agricultores. “Quando eu era convidado pra participar de um intercâmbio, eu dizia que não valia a pena, mas hoje eu vejo que a gente aprende demais e vê como os lugares mais secos tem muita riqueza na agricultura”. Após as visitas, os agricultores tiveram um momento pra conversar e tirar dúvidas com Elza e Reginaldo. Os dois agricultores vendem seus produtos na comunidade e na feira agroecológica de Aroeiras, que acontece aos sábados.
A agricultora Maria das Dores dos Santos Barros, 45 anos, do Sítio Pai Domingos, município de Puxinanã disse se sentir muito entusiasmada, pois não sabia que poderia diversificar tanto em seu terreno. “Depois que eu comecei a ir pra reuniões do programa eu percebi o valor de morar no sítio. Aqui o pessoal planta em um lugar cheio de pedra e ainda é cheio de riqueza, quando eu tiver minha cisterna, eu vou parar de comprar hortaliças e vou plantar tudo sem veneno”, planeja a agricultora.
