A Cooperativa de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Campina Grande (Catamais) acaba de divulgar um balanço do Projeto “Recicla São João”, que viabilizou a coleta seletiva durante “O Maior São João do Mundo”, festa tradicional realizada há mais de 30 anos na cidade. Participaram do projeto 44 catadores e catadoras de materiais recicláveis, ligados a cooperativas da cidade e alguns que ainda trabalham de forma avulsa.
A coleta seletiva foi realizada a partir das 19h de todas as noites de
terça-feira a domingo, entre os dias 03 de junho a 03 de julho de 2016. Ao todo, foram coletados quase 16 toneladas de materiais recicláveis, o que corresponde à média de uma tonelada e meia por dia, entre latas de alumínio, papelão, garrafas pet e até óleo de cozinha, fornecido pelos donos de barracas. A coleta foi realizada no Parque do Povo, ponto central que recebe a festa, e em áreas próximas, como a “Vila dos Tropeiros” localizada às margens do Açude Velho e no Parque Evaldo Cruz, no Açude Novo. Os catadores fizeram ainda um trabalho de sensibilização, com apoio das educadoras do Centrac, por meio de visitas às 225 barracas e quiosques instaladas no local.
A proposta do projeto veio da Prefeitura Municipal por meio das Secretarias de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Serviços Urbanos e Meio Ambiente, e acordada com as cooperativas de catadores da cidade. Para viabilizar a ação, foi celebrado um convênio entre a Catamais e a PMCG, que permitiu ainda o pagamento de uma ajuda de custo repassada à Cooperativa no valor de R$ 450,00 para cada catador ou catadora. Este valor, somado aos resíduos coletados, vai render a cada trabalhador a quantia de 1.050,00 reais.
A gestão municipal forneceu o transporte, equipamentos de proteção
individual (EPI), através de parceria com o Ministério Público do Trabalho, e jantar aos trabalhadores todas as noites, além de uma tenda para divulgação do trabalho dos catadores durante a festa. O material coletado foi transportado, ao final de cada noite, para o galpão da CATAMAIS pelo caminhão da Rede CataPB, gerenciado pelas Cooperativas do município, onde era triado e prensado por uma equipe de catadores responsável pelo trabalho durante o dia.
De acordo com Mary Alves, coordenadora do Projeto “Cooperar para Melhor Coletar” do Centrac, que assessora os catadores desde 2013, o saldo do Recicla São João é bastante positivo: “Principalmente porque o projeto vai ao encontro do que preconiza o Plano Municipal de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos, que é a destinação correta do material, reintegrando-os à cadeia de reciclagem com a inclusão social dos catadores, um benefício ambiental e outro social”, disse. “Outro aspecto importante é a valorização do trabalho organizado que as cooperativas fazem, pois a venda feita através delas garante um valor mais alto ao material, um quilo de latinhas que seria vendido a um sucateiro, por 2,50 as cooperativas vendem a 3,10, por exemplo, devido ao seu poder de comercialização coletiva e ao processo de beneficiamento realizado no material, a exemplo da prensagem”, completou.
Maria do Socorro Barbosa e Maria de Lourdes Bezerra são integrantes da Catamais e trabalharam pela primeira vez na coleta seletiva durante o Maior São João do Mundo. As duas estão muito satisfeitas com o resultado do Recicla São João: “Eu achei maravilhoso, o material que a gente arrecadou, não teríamos arrecadado em uns cinco meses de trabalho”, disse Socorro. “Foi o nosso décimo terceiro salário antecipado”, avaliou Lourdes, que preside a cooperativa.
Daqui pra frente, os catadores esperam dar continuidade ao projeto. “Vamos batalhar para que seja levado à Câmara de Vereadores para que o Recicla São João seja transformado em lei e passe a fazer parte da festa todos os anos”, explica Mary Alves.
