O Fórum Estadual de Economia Solidária da região Agreste da Paraíba realizou uma oficina nesta segunda-feira, 05 de dezembro, na sede do Centro de Ação Cultural (CENTRAC), para discutir sobre o tema “Comércio justo solidário e consumo consciente” e ainda os últimos preparativos da programação alusiva ao Dia 15 de dezembro – Dia Nacional da Economia Solidária.
A atividade reuniu cerca de 30 pessoas, entre elas artesãos e artesãs, agricultores e agricultoras familiares, catadores e catadoras de materiais recicláveis e assessores técnicos das entidades de apoio que o compõem, como o Centrac e a Incubadora de Empreendimentos Econômicos Solidários (IUESS) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
A oficina teve início com a discussão sobre a programação alusiva ao Dia Nacional da Economia Solidária. “Hoje a gente inicia nossa programação de comemoração ao dia da Economia Solidária, que significa pra nós a alternativa nas formas de consumir e produzir, valorizando as pessoas e o meio ambiente e resistindo ao capital. E é necessário que a gente esteja presente nos nossos espaços, pra esse tema tomar corpo e se tornar um direito, e se fortalecer como política pública”, ressaltou Mary Alves, coordenadora do Projeto Cooperar para Melhor Coletar do Centrac.
A programação alusiva ao Dia Nacional da Economia Solidária, promovida pelo Fórum Estadual de Economia Solidária na Região Agreste, contempla no próximo dia 06 de dezembro um evento sobre Trabalho e Renda, promovido pela Incubadora de Empreendimentos Econômicos Solidários da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); no dia 09 de dezembro será realizada a Feira Regional da Economia Solidária Paraibana, na Praça da Bandeira. Finalizando a programação, haverá no dia 15 de dezembro uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Campina Grande.
Em seguida, os participantes assistiram ao filme “História das coisas”, que explica o funcionamento do capitalismo e como as corporações manipulam governos e pessoas para consumirem cada vez mais, mostrando também o porquê da nossa sociedade produzir tanto lixo e destruir o meio ambiente. “O comércio que a gente vê nesse filme é o comércio que esta acabando com o nosso planeta, e daí a gente percebe o quanto nossa economia solidária é consciente e vai contra a esse comércio que só destrói e manipula”, afirmou a agricultura Solange Silva.
“Quando a gente fala de comércio justo e consumo consciente, a gente está falando de refletir sobre o valor das coisas e a sua forma de produção. Quando um produto não reflete condições dignas de produção e de trabalho, quando não se preocupa com o impacto de extração da sua matéria p prima necessária, nem com as condições em que o trabalhador se encontra para produzi-lo, não está associado a ideia de comércio justo”, disse Mary Alves.
Após o debate, os participantes se dividiram em dois grupos para discutirem o consumo consciente e comercio justo solidário, sendo um da economia capitalista e outro da economia solidária. Cada grupo deveria elaborar uma proposta para vender o seu produto e conquistar o cliente, abordando elementos discutidos na formação. Para participar da atividade, foram convidadas duas integrantes do Centrac que não estavam participando da formação.
O primeiro grupo a se apresentar foi o da economia capitalista, tentando vender uma bolsa pela sua durabilidade, segurança e garantia estendida por 150 reais. Já o segundo grupo, da economia solidária, também venderam uma bolsa, mas tinham uma proposta diferente para convencer o cliente. “Somos nós que fazemos essa bolsa, e quando a gente produz a gente pensa não só no dinheiro, mas na qualidade do produto. É um produto que garante a renda de muitas famílias, não agride o meio ambiente e todo material que sobra a gente reaproveita, além de ter um preço justo de 15 reais”, disse a agricultora Maria do Rosário Barbosa. A integrante do Fórum, Adriana, ainda ressaltou que os produtos da economia solidária são feitos de forma sustentável, sem explorar o trabalhador que produz e o cliente que consome.
As clientes compraram os produtos da encomia solidária ressaltando que além de incentivarem a economia local com sua compra, ainda estavam colaborando para uma forma mais justa de produção e consumo, preservando o meio ambiente.
A oficina foi encerrada após o debate dos grupos com uma dinâmica.
