A juventude do Assentamento José Antônio Eufrouzino, na zona rural de Campina Grande, vem mostrando que o rádio segue sendo uma ferramenta viva e poderosa de comunicação popular. O grupo lançou recentemente cinco episódios da Rádio Folia – Vozes da Juventude Rural, produzidos durante o processo formativo realizado entre março e outubro de 2025 pelo Centro de Ação Cultural (CENTRAC).
O projeto teve como objetivo fortalecer o protagonismo das juventudes do campo por meio de formações educomunicativas em produção radiofônica. Ao longo de sete oficinas presenciais, uma visita técnica à Rádio Educativa do IFPB – Campus Campina Grande, um evento de lançamento e um encontro final de avaliação, o grupo vivenciou todas as etapas da criação radiofônica — da pauta à gravação, da locução à edição.
O projeto foi conduzido pelos educomunicadores Kaká Nascimento e Thaynara Policarpo, com coordenação de Patrícia Sampaio, e financiamento do Edital de Fomento Biliu de Campina, por meio da Secretaria de Cultura de Campina Grande, com recursos do Ministério da Cultura e do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PNAB).
Cerca de 20 jovens participaram do processo, que resultou em cinco episódios abordando temas ligados à agroecologia, economia solidária, gênero e juventude rural. Os programas estão disponíveis no Spotify, YouTube e nas redes sociais do CENTRAC, ampliando o alcance das vozes do campo.
“O projeto Rádio Folia nos ajuda a compreender a comunicação popular como um elemento de superação do que Paulo Freire chamou de cultura do silêncio. Vivenciar a práxis educomunicativa com jovens camponeses não é apenas dar vez e voz aos sujeitos, mas dar atenção às vozes que muitas vezes são silenciadas na sociedade. Ao mesmo tempo em que estimulamos a produção como parte da formação cidadã, também provocamos o senso de participação, colaboração e crítica desses jovens. Foi um momento rico, que pode servir de exemplo para outros grupos a partir de estratégias de comunicação próximas da rotina de jovens e adultos, como é o caso do rádio”, destaca Kaká Nascimento, educomunicador do projeto.
O projeto também deixou um legado concreto: os equipamentos adquiridos — tablets, microfones, gravadores e caixa de som — permanecem disponíveis para o grupo, que segue produzindo e sendo assessorado pelo CENTRAC. Essa estrutura garante a continuidade das produções e o fortalecimento da comunicação comunitária.
Além do alcance local, a experiência da Rádio Folia ganhou visibilidade nacional. A jovem Beatriz Souza levou o relato da experiência ao 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), em Juazeiro (BA), onde também concedeu entrevista à Rádio Brasil de Fato Nacional.
“Participar da Rádio Folia foi transformador. Ganhamos a chance de colocar a nossa voz no ar e debater os temas que realmente importam para nós, jovens do campo. Aprendemos sobre comunicação, fortalecemos a nossa rede e, acima de tudo, celebramos a nossa identidade rural e a luta por um futuro digno na nossa terra. Foi um momento de muito aprendizado e empoderamento, foi lindo participar desse projeto e também descobrir o amor que tenho na área da comunicação”, afirmou Beatriz Souza, jovem integrante do Projeto.
“Cada episódio produzido é uma semente que nasce do território do Agreste e volta pra ele, fortalecendo o direito das juventudes rurais à comunicação”, destaca Thaynara Policarpo, educomunicadora do CENTRAC.
O Rádio Folia reafirma o papel transformador da educomunicação no campo, fortalecendo o protagonismo das juventudes e a construção coletiva de novas narrativas sobre o viver e o produzir no Semiárido. Mesmo após o encerramento das atividades formais, a rádio segue ativa, com o grupo do assentamento e o apoio do CENTRAC.
Ouça os episódios da Rádio Folia no YouTube ou Sootify. Acesse os links abaixo:
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