No dia 12 de agosto, nós, mulheres do campo, da floresta e das águas estaremos nas ruas de Brasília em marcha por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade.
O contexto político que vivemos mostra a força e a necessidade de lutarmos firmemente por nossos direitos e para fazer nosso lema tornar-se realidade.
Estamos vendo nossas vidas, nossas conquistas e nossos direitos sendo colocados como jogo de troca dos setores conservadores na disputa por seus interesses, manipulados pelo presidente da câmara, Eduardo cunha, que não respeita regimentos, querendo fazer do congresso sua casa e mostrar que tem força para aprovar o que ele quer.
Vimos a imposição de uma contra reforma política, que também a partir de manobras, negou toda a mobilização social que defendia um processo participativo e inclusivo no sistema político. Entre outras perdas, continuamos com o financiamento privado de campanhas e tivemos a derrubada da proposta das mulheres, inviabilizando qualquer possibilitasse o aumento da participação das mulheres na política.
Vivemos um momento tenso: os/as jovens que ontem foram presos/as e criminalizados/as, na luta pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária e que enfrentaram o ódio raivoso das elites, hoje veem novamente a ódio aos jovens na aprovação da redução da maioridade penal na câmara dos deputados. Este foi um momento em que o uso abusivo do poder do presidente ficou mais uma vez explícito, na reapresentação da pauta, com pequenas alterações, no dia seguinte, após uma madrugada de negociatas.
Deparamos-nos ainda com a incitação à violência e ao ódio contra as mulheres demonstrado por alguns cidadãos brasileiros que produziram adesivos agressivos ofensivos, que reforçam a cultura do estupro, com a imagem da presidenta Dilma Rousseff. Este tipo de ação agride não só a presidenta Dilma Rousseff, mas a todas as mulheres, e a todos os cidadãos e cidadãs de bem.
Frente a essa conjuntura, viemos dizer a todas/os que não aceitaremos o ataque à democracia, pela qual tanto lutamos. A ofensiva conservadora explícita nas ações do congresso viola direitos historicamente conquistados. Fere a autonomia, a igualdade e a liberdade das mulheres.
Não aceitaremos nenhuma forma de golpe! Afirmamos que a democracia deve respeitar a escolha soberana do povo nas urnas e o direito legítimo da presidenta Dilma governar. Posicionamos-nos radicalmente contra as ofensivas conservadoras que defendem a derrubada da presidenta e até mesmo um golpe militar. Queremos um Brasil soberano e democrático e uma vida livre de violência.
No entanto, não aceitamos reorientações na política econômica em favor do capital, nem queremos pagar pelos custos do ajuste fiscal. O estado deve ser portador do interesse geral e não defensor dos privilégios. Queremos avanços. O estado que nós demandamos deve promover as liberdades e direitos para todas e todos, intervir na economia em favor da garantia dos direitos humanos e estar estruturado em diferentes formas de democracia participativa e controle cidadão.
Lutamos ainda pela democratização da comunicação, pois não aceitaremos que os meios de comunicação continuem atuando para disseminar informações tendenciosas, que na verdade pretendem colocar a população contra o governo e a presidenta.
Com nosso lema queremos mostrar e valorizar a realidade das mulheres trabalhadoras do campo, da floresta e das águas, que até bem pouco tempo nem ao menos eram consideradas como trabalhadoras, buscando ampliar e fortalecer políticas públicas e recursos para vencer a pobreza, a desigualdade, a opressão e violência, com respeito às tradições, culturas e saberes, à proteção da biodiversidade, ao patrimônio genético e aos bens comuns.
Para que o desenvolvimento se faça de forma sustentável, com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade para as mulheres é preciso vencer as desigualdades econômicas e políticas e garantir a cidadania integral. Significa vencer a pobreza, maior entre as mulheres, e maior ainda entre as mulheres negras e jovens, bem como assegurar a liberdade, a participação, a formação política e o acesso aos bens materiais e simbólicos, assim como às políticas públicas, com respeito às diversas identidades, para a desconstrução de padrões patriarcais e sexistas. Ao mesmo tempo em que ajude a compor a grande riqueza de nosso país, nos desafia a pensar e apoiar a construção de políticas específicas que contribuam para o enfrentamento às desigualdades e diversidades regionais, realizando um desenvolvimento regional que respeite e fortaleça as culturas, tradições, modos de vida em todos os biomas brasileiros.
Companheiras, mulheres de todo o Brasil, trabalhadoras do campo, da floresta e das águas, mulheres trabalhadoras das cidades, seguimos em marcha! A conjuntura que se desenha pós-eleições exige que as margaridas assumam a mesma postura que lhes exigiu coragem e ousadia para reconduzir Dilma Rousseff à presidência da república, contra a candidatura apoiada massivamente pelos setores conservadores. Após as eleições, entendemos que devemos seguir na luta nos afirmando neste momento de disputas como sujeitos de direitos e sujeitos políticos a fim de garantir reformas políticas capazes de proporcionar mudanças em estruturas históricas que ainda sustentam as desigualdades e a discriminação no brasil.
SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!
