As conquistas sociais que possuímos são frutos de intensas e difíceis lutas de pessoas que, no passado, dedicaram suas vidas a resistir e enfrentar violentas formas de repressão, usadas para sustentar privilégios e relações sociais de dominação.
Mas as conquistas que temos no presente continuam sendo constantemente ameaçadas pelas forças sociais e políticas que usam de todos os instrumentos para tentar impor retrocessos e impedir o avanço de novos direitos, tão urgentes e necessários para o exercício e expansão de uma cidadania plena, baseada na liberdade, na igualdade de direitos e na solidariedade.
Um dos mais importantes instrumentos das lutas sociais é o direito à sua memória e à sua história. Ter direito à memória e à história é ter direito de saber quem somos, onde estamos e o que queremos construir para o futuro.
Mas o direito à memória e à história das classes trabalhadoras é constantemente ameaçado pelas forças políticas conservadoras que servem à classe dominante, que querem controlar a história à sua maneira, a fim de controlar os conflitos sociais no presente e os projetos de futuro.
Por isso, a todo o instante, fazem-se esforços para silenciar e impor o esquecimento à memória e à história de lutas, a fim de garantir unicamente os interesses das elites que ocupam espaços de mando em nossa sociedade brasileira e, assim, tentar impedir novas conquistas e a construção de uma nação mais justa.
Um dos exemplos gritantes dessas investidas que atentam contra a memória e a história das lutas populares ocorreu no município de Sapé, na Paraíba: em junho de 2015, a Câmara de Vereadores de Sapé resolveu conceder o título de cidadão sapeense a um deputado que se identifica abertamente com a ditadura militar e o terror perpetrado em suas práticas desumanas de tortura, assassinato, desaparecimentos, estupro e aniquilação da liberdade de expressão.
Ao conceder o título de cidadão sapeense ao deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), os vereadores de Sapé passaram a ser cúmplices de todas as ideias e práticas perigosas que este deputado defende e representa.
A atitude dos vereadores de Sapé foi uma tentativa de jogar no lixo a história das lutas sociais, como as protagonizadas pelas Ligas Camponesas, que lutaram para que o povo do campo tivesse acesso à terra e foram violentamente reprimidas por milícias privadas e pela ditadura iniciada com o golpe de 1964.
Estes vereadores parecem desconhecer o significado da ditadura militar e o peso da repressão para o avanço da democracia no Brasil. Mas não nos enganemos! Podem ser ignorantes sobre nossa história vivida até aqui, mas sabem exatamente o que querem para o futuro!
Não os deixaremos varrer para o lixo a memória e a história das lutas sociais na Paraíba e no Brasil! Mantenhamos nossa postura firme contra o machismo, o racismo, a homofobia e os interesses elitistas das classes dominantes! Estamos em defesa das lutas populares empreendidas no passado, para fazer avançar novas conquistas sociais e ampliar a cidadania plena e a democracia na Paraíba e em nosso país!
Viva os trabalhadores e trabalhadoras que lutaram no passado! Viva a luta do presente! Por um futuro de liberdade!
PARTICIPE DO ATO PÚBLICO EM DEFESA DA HISTÓRIA E DA MEMÓRIA DAS LUTAS SOCIAIS EM SAPÉ E NA PARAÍBA!
13 DE AGOSTO DE 2015
8 HORAS DA MANHÃ
PRAÇA JOÃO PESSOA – CENTRO DE SAPÉ
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Cordialmente,
Lúcia de Fátima Guerra Ferreira
Profa. Dra. do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos – CCHLA/UFPB
Coordenadora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos – CCHLA/UFPB e do Curso de Especialização EDH/EAD
Integrante da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória da Paraíba
Fone (83) 9983-3105; 3216-7468 (NCDH)
