No dia 28 de março, cerca de 200 estudantes, professores, funcionários e sociedade em geral se reuniram no Centro de Extensão José Farias da Nóbrega, na Universidade federal de Campina Grande – UFCG, para participar do Debate e Análise da Conjuntura Política no Brasil, intitulado “Ditadura Nunca Mais”.
A programação teve início às 18h30 com um repertório de músicas que fazem alusão a ditadura militar no Brasil. Em seguida, o mestrando em história da Universidade Federal a Paraíba – UFBP, José Junior, deu as boas vindas e convidou o historiador da UFCG Antônio Clarindo Barbosa para mediar o debate. “A gente esta aqui para defender um espaço de diálogo, principalmente hoje, onde a gente não tem mais a liberdade de andar na rua com uma roupa que a gente gosta, da cor que a gente gosta”, ressaltou Antônio.
Foram convidados para compor a mesa, a socióloga e coordenadora do Programa Juventude e Participação Política do Centro de Ação Cultural – Centrac, Ana Patrícia Sampaio; a antropóloga Elizabeth Cristina Lima; a historiadora Eronides Câmara; o sociólogo José Marciano Monteiro; o historiador Luciano Queiroz e o Antropólogo Wanderlei Silva, todos do corpo docente da UFCG.
A socióloga Ana Patrícia Sampaio iniciou o debate apresentando o Centrac enquanto uma instituição que surgiu durante um processo de redemocratização do país. “O Centrac, neste ano de 2016, está completando 30 anos, a gente não poderia se furtar nesse momento. A gente esta correndo o risco de sofrer um golpe, estamos chamando de golpe porque ele não esta sendo usado de forma adequada”, afirmou Patrícia.
Diante da conjuntura atual, a socióloga direcionou sua fala para a ilegalidade do atual processo de impeachment. “O impeachment só é usado para retirar o mandato de um presidente quando ele comete um crime de responsabilidade e, neste caso, não existe crime para caracterizá-lo. Do jeito que esse impeachment se caracteriza, é golpe. Pra gente pedir a retirada de um presidente porque a gente não se agrada dele, é golpe. Se uma minoria que não se convence com o resultado das eleições e agora quer assumir o poder, é golpe”, esclareceu.
A professora Elizabeth Cristina relatou sobre a violência no Brasil em torno da eleição de uma mulher presidente, posteriormente a historiadora Eronides Araújo apresentou alguns depoimentos de mulheres que foram torturadas durante a ditadura militar. Eronides ainda leu o artigo “misoginia e o vale-tudo na disputa política brasileira” da Diretora de Mulheres da União Nacional dos Estudantes – UNE, Bruna Rocha, que fala sobre um dos editores da revista Época, João Luiz Vieira, que publicou um artigo que na internet e na imprensa em geral intitulado ”Dilma e o Sexo”. O texto do jornalista obteve péssima repercussão e relacionou os problemas da presidenta Dilma Rousseff à “falta de erotismo”, numa clara exibição de misoginia e desrespeito à figura feminina.
Ainda no debate foi realizada uma análise sobre a economia política brasileira, a imparcialidade da mídia e a Lei de Mídia Democrática. “Precisamos lutar cada vez mais para garantir uma mídia mais acessível e democrática, que represente a voz dos cidadãos”, disse o sociólogo José Marciano Monteiro.
Após a apresentação dos convidados, o debate foi aberto aos participantes. O radialista Bazílio Coarneiro, reforçou a fala de José Marciano, ressaltando as relações entre a mídia e o golpe. “A gente acha que a mídia é o quarto poder, mas a imprensa é o primeiro poder. Ela tem o poder de eleger um candidato e depois derrubá-lo”, disse. A mestranda em história da UFCG, Cibelle Leal, encerrou o debate com as seguintes palavras de ordem: “Não vai ter golpe, vai ter luta!”, convidando todos a participar do “Ato pela Democracia e Contra o Golpe”, realizado na quinta-feira (31 de março).
O evento foi realizado pela UFCG, em parceria com o Centrac, o Programa de Educação Tutorial – PET de História e o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID da UFCG.
