Comunidades Rurais do Cariri, Seridó e Curimataú celebram políticas públicas de acesso à água na Paraíba

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 6 de julho de 2016

DSCN9791No dia 2 de julho, sábado, comunidades rurais de 11 municípios das regiões do Cariri, Seridó e Curimataú Paraibano participaram da “Festa das Comunidades Rurais: Celebrando ações de convivência com o Semiárido”. O evento aconteceu pela manhã com aproximadamente 300 pessoas, no Clube Recreativo do município de Soledade – PB, realizado pela Comissão Municipal de Soledade em parceria com o Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Soledade, Patac, Centro de Ação Cultural (Centrac), Articulação do Semiárido Paraibano (ASA – PB) e Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil).

No primeiro momento, as caravanas dos municípios de Olivedos, Pocinhos, São Vicente do Seridó, Cubati, Pedra Lavrada, Gurjão, Santo André, Juazeirinho, Tenório e São João do Cariri e Soledade foram recebidas pelo trio de forró Canoa Quebrada, do município de Cubati, e pelo o músico Emanuel Vicente, de Soledade. O agricultor Inácio Salviano de Sousa, mais conhecido como ‘Tadica’, recitou ainda o poema “O plantador de milho”, de Daudeth Bandeira. Dando início a programação, o Grupo de Teatro do Coletivo regional apresentou a peça “O Semiárido não é mais o mesmo”, que conta a história de vida de uma família de agricultores antes e depois das conquistas das políticas públicas de convivência com o semiárido.

DSCN9805Após a peça, houve um momento de reflexão e debate sobre a trajetória de luta de convivência com o semiárido e a atual conjuntura política nacional com participação do coordenador do Patac, Valdir Costa, da coordenadora da Articulação do Semiárido Paraibano (Asa-PB), Glória Araújo e do coordenador do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar, Edivan Farias. “A primeira cisterna de placa foi criada em julho de 1993, e hoje nós estamos aqui comemorando seus 23 anos, uma conquista para os agricultores e agricultoras familiares”, ressaltou Valdir. “Nossas políticas de convivência com o semiárido estão sendo ameaçadas. Um momento como este de celebração é muito oportuno pra gente fazer uma reflexão de enfrentamento a esse governo interino. Nós melhoramos, o semiárido não é mais o mesmo, mas precisamos lutar para garantir essas políticas que não podem e não devem ser perdidas”, afirmou Glória.

Os agricultores e agricultores representantes da Comissão Municipal de Soledade foram convidados para discutir sobre as mudanças após as políticas de convivência com o semiárido e acesso à água, através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). “Passa um filme da vida da gente depois dessa peça. Eu andava 6 km pra pegar água em uma cacimba. Hoje todo mundo tem uma cisterna no quintal de casa, a gente não precisa mais se humilhar. Através do Programa P1+2 a gente produz alimento, vende na feira agroecológica. Nós já estamos em quase cinco anos de seca, mas hoje tem agricultor produzindo pro PNAE e meu sonho é que todos eles possam produzir, garantindo comida de qualidade para seus filhos e para a comunidade”, afirmou a agricultora Geane Barbosa, do município de Soledade.

DSCN9874O agricultor José Maciel, da comunidade Caiçara, falou sobre as mudanças no município depois da chegada dos programas de acesso a água. “De 1993 pra trás, não tinha cisterna na comunidade. O carro pipa abastecia apenas uma cisterna e toda a comunidade pegava água nela. Nessa época nós conhecemos o Patac, uma entidade que pôde nos ajudar trazendo a cisterna para nossa comunidade, pois ainda não tinha o Programa Um Milhão de Cisterna, tinha só as entidades que trabalhavam com elas. Mas hoje a gente vê a diferença, e hoje a gente festeja essa política de acesso à água, que é uma conquista pra nós agricultores”, falou Maciel.

No segundo momento, a integrante da Comissão Municipal, Rogéria Campos, entregou um certificado de reconhecimento pela luta das ações de convivência com o semiárido aos demais integrantes da Comissão Municipal de Soledade. “A Comissão Municipal é formada por integrantes de 15 comunidades que estão sempre reunidos discutindo temas como sementes, estocagem de ração animal, beneficiamento de frutas, acesso a mercados e feiras agroecológicas, criação animal, Fundo Rotativo Solidário e ações voltadas para mulheres e juventudes. E nós queremos agradecer a essas pessoas por estarem sempre unidas com o objetivo de garantir essas políticas públicas que estamos celebrando hoje”, disse Rogéria.

Os representantes de entidades de apoio como Centrac, Patac, Asa PB e Asa Brasil, famílias agricultoras, pedreiros, assessores técnicos e pessoas que contribuíram para o fortalecimento da agricultura familiar camponesa no município também receberam o certificados. Ainda houve exposição de fotos dos trabalhos desenvolvidos pelo Patac e venda de produtos dos agricultores e agricultoras familiares de Soledade.