Agricultores e agricultoras produzem defensivos naturais durante curso em Umbuzeiro-PB

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 16 de setembro de 2016

dscn9754Durante os dias 13, 14 e 15 de setembro, cerca de 30 agricultores e agricultoras das comunidades de Dois Riachos, Alecrim, Ladeira Grande, Mimoso, Açudinho e Balança, município de Umbuzeiro – PB, participaram do Curso de Sistema Simplificado de Manejo de Água para Irrigação – SISMA, realizado pela equipe do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar em parceria com o Centro de Ação Cultural (Centrac).

Durante os dias de curso, os agricultores e agricultoras, participantes do P1+2, discutiram sobre a criação das cisternas de placa, o uso defensivo de naturais, a produção de forragem animal, segurança alimentar e nutricional, organização da propriedade e a importância de cultivar e consumir uma alimentação sem veneno.

dscn9764No ultimo dia do curso, os agricultores e agricultoras discutiram sobre o nim, uma planta originária da Índia, conhecida no Brasil por se rum repelente natural, inseticida e fungicida, além de ser muito boa para lenha. Também foi discutido sobre a gliricídia, “uma planta da família das leguminosas que tem o poder de filtrar o nitrogênio do ar e colocar no solo. Ela tem uma raiz muito boa e ajuda a deixar o solo mais rico”, afirmou Antônio Carlos Vasconcelos de Albuquerque, assessor técnico do Programa Desenvolvimento Sustentável do Centrac.

dscn9763Os participantes discutiram ainda sobre a fenação, prática de conservar forragem, armazenando as plantas em silos ou em fenos para o consumo animal. Os agricultores e agricultoras também discutiram sobre a diferença entre silagem e fenação e como o controle agroecológico de pragas e doenças na propriedade pode ser feito. “Quando eu planto só um tipo de planta é mais fácil aparecer doenças, quando eu faço o rodízio da plantação com uma variedade de plantas, eu deixo o solo mais rico e evito as doenças e pragas”, ressaltou Antônio Carlos.

dscn9775Reforçando a discussão sobre os malefícios do uso de agrotóxicos e a importância de controlar as pragas e doenças na propriedade sem o uso de agrotóxicos, os agricultores e agricultoras aprenderam a preparar alguns defensivos naturais. A primeira receita de defensivo produzida foi a de alho, indicado para controlar lagartas e pulgões. A segunda foi com o fumo de corda, indicado para o controle de pulgões, lagartas, percevejos e mariposas. O terceiro defensivo foi preparado com as folhas do nim, que combate mosca branca, pulgões, lagartas, cochonilhas, ácaros, besouros, gafanhotos, nematoides e fungos. A última receita foi produzida com a castanha de caju, também controla a mosca negra, o pulgão e a lagarta.

dscn9782Todos os participantes receberam um material com as receitas e o passo a passo para a produção de 19 defensivos naturais, todos baseados no respeito e nos cuidados com a terra. “A gente não sabia como fazer esses defensivo, sem usar o veneno. E agora a gente vai poder combater as pragas e as doenças de forma natural, usando o que a gente tem na propriedade. Eu estou muito feliz em poder aprender tudo isso. Quando eu pensei que ia receber a cisterna, eu achava que ia alguém na minha casa construir e pronto. Mas vivenciar tudo isso aqui é maravilhoso, saber que não é só uma construção de uma cisterna, mas de muito aprendizado”, falou a agricultora Maria Bernadete Barbosa, da comunidade Alecrim.

Ao término do curso, todos os participantes receberam uma muda de nim e de gliricídia. Os defensivos naturais produzidos foram todos sorteados entre eles.