Agricultores de Aroeiras e Mogeiro participam de Encontro de Avaliação Territorial do P1+2

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 19 de julho de 2018 · Editar

Na última terça-feira, 17 de julho, cerca de 70 agricultoras e agricultores beneficiados pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), desenvolvido pelo Centro de Ação Cultural – Centrac nos municípios de Mogeiro e Aroeiras-PB, participaram de um Encontro de Avaliação Territorial. A atividade foi realizada em parceria com o Fórum de Lideranças do Agreste (Folia), Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) e apoio financeiro da Fundação Banco do Brasil.

O P1+2 teve início no mês de outubro de 2017 e tem duração de 10 meses, com o objetivo de atender 186 famílias, nos dois municípios, com as cisternas de 52 mil litros do tipo enxurrada e calçadão.  As famílias beneficiadas já estão produzindo hortaliças e melhorando o espaço da criação animal.

No primeiro momento da atividade, as famílias agricultoras se dividiram em grupos para discutir sobre os benefícios da cisterna de produção. Os principais pontos destacados foram: melhoria na qualidade de vida das famílias; convivência com os períodos de estiagem; produção de alimentos e criação animal; justiça social; diminuição do uso de agrotóxicos; incentivo à troca de experiências e sementes entre os agricultores e democratização do acesso a água.

Madalena Medeiros, coordenadora do Programa P1+2 do Centrac, falou ainda sobre algumas experiências e práticas agroecológicas, o manejo e estratégias de convivência com o semiárido. “É muito importante a diversidade de culturas na produção, isso garante mais autonomia às famílias e ainda previne as pragas. A estocagem de forragem também é fundamental para que as famílias não precisem comprar ração para os animais nos tempos de estiagem”, afirmou Madalena. “Eu já comecei a fazer a cobertura morta do solo com capim e folhas e cobri os canteiros. É muito bom porque isso permite que o solo não fique seco e permaneça fértil”, contou o agricultor Antônio Fernandes, da comunidade Chã da Barra, em Aroeiras.

Outras estratégias de convivência e experiências também foram apresentadas pelos agricultores e agricultoras. “Eu tinha um pé de chuchu quase morto e não sabia por que ele estava daquele jeito, porque eu regava ele todos os dias. Mas no curso eu vi que algumas plantas não conseguem absorver direito a água do solo e que às vezes é preciso colocar algum recipiente para reter melhor a água. Foi aí que eu coloquei uma garrafa com água ao lado do pé de chuchu e em alguns dias ele já começou a florar. Eu também sempre faço o reuso da água da pia e das roupas, porque é muito importante não desperdiçar nenhuma gota de água e eu já uso para aguar as plantas”, disse Maria José Alves, agricultora  do Sítio Estreito, em Aroeiras.

 

Agrotóxicos e transgênicos foram temas de debate entre os participantes, que já estão utilizando algumas receitas naturais aprendidas durante as formações do programa, como a cinza, a castanha com álcool, a folha de nim, dentre outras. O agricultor Ramos Feitosa já está produzindo um biofertilizante em sua propriedade e conta que já está utilizando na produção de inhame e do maracujá. “É incrível a gente perceber a diferença entre uma planta que está sendo adubada com e outra que não está. Meu inhame que usei biofertilizante está enorme e o maracujá também, a gente percebe a diferença até no tamanho das folhas”, ressaltou o agricultor do Assentamento Dom Marcelo, município de Mogeiro. No segundo momento, os participantes fizeram a leitura dos objetivos da cisterna de produção. Em seguida, os agricultores de Aroeiras e Mogeiro se dividiram em grupos para fazer uma avaliação sobre as experiências que já estão sendo realizadas nas propriedades, avaliando ainda os processos de realização do Projeto em cada município. “A gente começou a cuidar do barreiro que tem perto de casa, porque no verão a gente sempre sofre sem água. Depois do programa e agora com a cisterna, eu percebi a importância de cuidar dos barreiros e reservatórios que têm perto das nossas casas. Além de economizar mais água eu também estou fazendo a irrigação por gotejamento, que é também uma estratégia de convivência com o semiárido”, disse o agricultor José Paulo da Silva, da comunidade Carapebas, em Aroeiras.

Ao término da atividade, um representante de cada município, recebeu sementes de amendoim, gergelim, feijão vagem e trata de porco, ervilha miúda e camomila e foi assumido o compromisso coletivo se multiplicar as sementes. Também foram doadas sementes de sabiá e gliricídia, além de mudas de pitanga, pau-brasil, ipê, goiaba, mulungu, catingueira e aroeira da praia.