Agricultoras de Umbuzeiro discutem Fundos Rotativos Solidários durante oficina

Publicado por Thaynara Policarpo
Campina Grande, 28 de março de 2019 · Editar

Um grupo de agricultoras da comunidade Jucá, município de Umbuzeiro-PB, participou de uma Oficina sobre Economia Solidária e Fundo Rotativo Solidário (FRS), atividade que faz parte das ações do Projeto Quintais Agroecológicos: Espaços de construção e autonomia das mulheres, soberania alimentar e nutricional e geração de renda, desenvolvido pelo Centro de Ação Cultural-Centrac. O projeto vai promover formações para estimular e acompanhar a criação de novos fundos por iniciativa das comunidades. A atividade conta com o apoio da Fundação Banco do Brasil Voluntariado – FBB, do CCFD – Terra Solidária entidade francesa, a Plataforma Mercosul Social e Solidário (PMSS) e a  Misereor, entidade alemã.

Dando início a programação, foi realizado um resgate das ações solidárias que fizeram a diferença na vida das agricultoras e da comunidade, como doação de água, mutirões para reformas e construção de casas, limpeza de barreiros, cisternas de água beber, empréstimo de animais para reprodução e doação de sementes, entre outros.

Em seguida, foi apresentado o vídeo “O que é Fundo Rotativo Solidário?”, produzido pelo Centro Sabiá, que explica didaticamente os mecanismos do fundo rotativo solidário e mostra quais as vantagens da produção de alimentos seguindo os princípios agroecológicos. Após o vídeo, as agricultoras levantaram algumas necessidades que ainda existem na comunidade, tais como: o acesso a terra, cisternas, tendo o foco principal na renda, que possibilita mais autonomia para as mulheres. “Umas das coisas que a gente sente mais necessidade é a renda. Muitas mulheres não trabalham fora de casa e a gente sabe que tendo uma alternativa financeira a gente pode começar a ter mais autonomia e ir conquistando as coisas aos poucos”, disse a agricultora Josiclea Barros.

Para entender melhor como funciona a criação de um FRS, Madalena apresentou o passo a passo e as ferramentas necessárias. “O fundo rotativo pode ser de trabalho, animal, de sementes, de outros recursos, mas é baseado na solidariedade e basta apenas ter um grupo interessado pra que as coisas comecem a funcionar. Quando uma família adquire um benefício, assume a responsabilidade de contribuir mais adiante com o fundo devolvendo o valor do bem recebido ou a quantia determinada pelo grupo para que ela ou outra família possa ser beneficiada novamente. Dessa forma, o fundo nunca fica vazio”, afirmou Madalena, esclarecendo sobre alguns pontos necessários para a criação e manutenção do FRS: o regimento interno, criação dos instrumentos de controle, a assembleia de criação, a elaboração do plano de desenvolvimento e o  acompanhamento e avaliação mensal das ações.

Ao término da atividade, as agricultoras avaliaram a importância da comunidade estar organizada. “Eu aprendi muito sobre o Fundo Rotativo, não sabia o que era e nem como funcionava, mas a gente já percebe que é uma alternativa muito boa pra facilitar a vida da gente, deixar a gente com mais autonomia. Acho que a proposta agora é conversar com mais mulheres sobre o Fundo e ir vendo nossas necessidades”, falou a agricultora Angélica Pereira.